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Mariah Carey e o Transtorno Bipolar

  • Foto do escritor: Aniervson Santos
    Aniervson Santos
  • 16 de set. de 2025
  • 3 min de leitura

Mariah Carey é uma das vozes mais marcantes da música pop mundial. Quando subiu ao palco no The Town Festival no dia 13/09/25, muitos espectadores notaram algo diferente: a performance trouxe menos movimento, menor enérgica, alguns chegaram a comentar que ela parecia “apagada” ou “dopada”.


Vale ressaltar que desde o início de sua carreira, a Mariah nunca foi uma artista que se movimentasse muito nos palcos, deixando a dança para seu corpo de balé, porém nos últimos anos, percebemos que ela vem se movimentando cada vez menos no palco e parecendo mais apática em seus shows.


Antes de julgar, é importante lembrar do fato que Mariah revelou publicamente: ela vive com Transtorno Bipolar tipo 2. A partir disso, podemos entender melhor o que pode estar em jogo, sem reduzir tudo ao título de celebridade, mas olhando o sofrimento humano que mesmo as estrelas enfrentam.


🧠 O que é Transtorno Bipolar tipo 2


  • O Transtorno Bipolar é uma condição de saúde mental caracterizada por episódios depressivos significativos e episódios de hipomania — esta última sendo uma forma mais leve de mania, sem perda de contato total com a realidade.

  • Mariah foi diagnosticada com esse transtorno em 2001, depois de uma hospitalização durante um colapso emocional e físico. Ela viveu muitos anos em negação, medo de que sua condição se tornasse pública.

  • Ela relatou sintomas típicos: irritabilidade, insônia, trabalhar além do limite, medo de desapontar pessoas, seguidos por períodos de depressão com baixa energia, sentimento de culpa e solidão.


🎯 A apresentação da Mariah e os julgamentos públicos


  • As críticas recentes (“ela parecia sem movimento”, “dopada”) muitas vezes ignoram dois fatores importantes: a natureza oscilante do Transtorno Bipolar tipo 2: fases de momento “emocional alto” e fases de baixa e o efeito que medicação, cansaço, pressão de produção, viagens ou estresse intenso podem ter no corpo e na apresentação.

  • Quando alguém com Transtorno Bipolar II está em fase depressiva ou em transição medicamentosa, pode haver impacto na energia física, na expressão corporal, na voz, no rendimento... e isso não é algo que se decide controlar no instante do show.


🔍 Psicanálise: o que ela traz para essa história


A psicanálise não substitui tratamento médico ou psiquiátrico, mas complementa de forma profunda:


  1. Escuta dos significantes invisíveis: Os sintomas (cansaço, irritação, isolamento) têm sentidos: expectativas internas, autoexigência, medo de exposição, vergonha. Para Mariah ou para qualquer pessoa, há uma história psíquica desses sofrimentos que merece ser ouvida.

  2. Ideal do Eu e exigência social: Figuras públicas frequentemente carregam uma imagem idealizada: ter que entregar tudo, sempre. Isso reforça o ideal do eu: a expectativa de perfeição que, quando não alcançada, gera culpa, sensação de fracasso.

  3. Elaboração da perda, da limitação: Cada episódio depressivo pode aparecer como uma “perda”: da voz, da presença energética, da imagem pública. A psicanálise ajuda a elaborar essas perdas simbólicas e reais, para evitar que virem ruídos persistentes ou que se transformem em autoflagelação.

  4. Integração das diferentes partes do sujeito: O sujeito bipolar II vive entre extremos emocionais. A análise auxilia a acolher tanto os momentos “bons” quanto os “mais difíceis”, integrando essas experiências em uma narrativa que não fira o senso de self, possibilitando viver com mais autenticidade mesmo com limitações emocionais.


🌱 Reflexão para você


Quando vemos alguém famoso como Mariah sendo criticada por “não estar no padrão”, nos deparamos com algo que muitos jovens já sentem: a pressão de ser impecável, sempre em alta performance.


Se você já percebeu em si mesmo momentos de euforia seguidos de queda brusca, ou então que está muito exigido diante do que esperam de você, pessoal, social ou digital, não ignore: pode ser um sinal de que algo precisa ser falado, cuidado e compreendido.


✅ Conclusão


O Transtorno Bipolar tipo 2 é uma realidade na vida da Mariah Carey, tanto que ela mesma decidiu se abrir sobre isso, buscar tratamento, terapia e medicação.


A vida profissional, a pressão do palco, a exposição pública, tudo isso pode intensificar os desafios desse transtorno, especialmente quando o público interpreta mal, mesmo que silenciosamente.


A psicanálise se torna um espaço essencial de cuidado: não para julgar, mas para acolher, para permitir que a dor seja nomeada, para ajudar cada sujeito a atravessar seus episódios emocionais com menos culpa, menos vergonha e com mais humanidade.


Se quiser aprofundar sobre suas dores, tenho uma sessão voltada para jovens e a comunidade LGBTQIAPN+ onde podemos conversar sobre altos, baixos, expectativas e como viver de forma mais equilibrada.


Você não precisa enfrentar isso sozinho(a).


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© 2025 por Aniervson Santos, Psicanalista Clínico.

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